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Estratégia de resposta às mudanças climáticas exige maior envolvimento da mulher
 
Written by Orlando Ngovene | 23 January 12
 
 

O Governo moçambicano está a preparar a estratégia de resposta nacional para as mudanças climáticas, não obstante os efeitos do aquecimento global já se registam nos vários sectores de actividade deste país, desacelerando o seu desenvolvimento.

Um dos sectores atingido pelos efeitos das mudanças climáticas é o da agricultura, com cerca de 80% da mão-de-obra constituída por mulheres, ou seja, como diz o agro-economista moçambicano, Firmino Mucavel, "no sector agrário os primeiros que sofrem os efeitos da seca e das mudanças climáticas são as mulheres", defendendo para que estas sejam envolvidas nos estudos dos fenómenos que causam o aquecimento global.

Em Novembro de 2011, o executivo de Moçambique esteve reunido no Gabinete do primeiro-ministro para apreciar a estratégia que integra a componente da maximização do potencial humano, a mulher, para dar resposta aos desafios que o país enfrenta. Nesta estratégia e noutras de género elaboradas pelo executivo moçambicano está integrado o pressuposto de promoção e elevação do estatuto da mulher e da sua participação na vida política, económica, social e até na preservação do meio ambiente, o que se traduzir pela justiça social, garantia de acesso as oportunidades de desenvolvimento e exercício de direitos cívicos sem discriminação alguma (de raça, sexo ou idade).

A estratégia do governo moçambicano abarca entre outras medidas para os próximos anos a construção de 2 aterros sanitários nas cidades de Pemba e Lichinga e a criação de 5 mil novas florestas comunitárias, estas com o envolvimento massivo das mulheres, aliás este género é tida como a maioria no trabalho directo com a terra, principalmente nas actividades viradas a revolução verde.

No encontro de Novembro, foi também analisada a comunicação que seria apresentada na conferência das Nações Unidades sobre as mudanças climáticas realizada em Dezembro do corrente ano em Durban na África do Sul. Nesta comunicação o governo de Moçambique aponta as acções que está a fazer de modo a dar resposta quer em termos de adaptação às mudanças climáticas quer em relação aos efeitos decorrentes do aquecimento global - disse o ministro das pescas, Victor Borge, que falou na qualidade de porta-voz do Governo.

Em Moçambique, os efeitos das mudanças climáticas são notórios em quase todas as províncias e em muitas áreas, chegando a por em causa a sobrevivência de milhares de pessoas, ou seja, traduzem-se de diversas formas, as cheias sucessivas, secas e inundações. Entre as áreas afectadas destacam-se a agricultura, segurança alimentar, recursos hídricos, saúde pública e áreas de conservação ou fauna.

Apesar de as áreas de conservação estarem em fraca recuperação, o impacto não é menor com as ameaças da erosão costeira e do aumento das águas do mar. O arquipélago de Bazaruto é uma das áreas em que a erosão e as águas do mar estão a avançar progressivamente para o continente colocando em risco a biodiversidade. A directora nacional adjunta das áreas de conservação no Ministério do Turismo, Felismina Langa, diz que o sector está já a fazer intervenções com destaque para a restauração das infra-estruturas de gestão dos recursos naturais, a reintrodução de várias espécies faunísticas e o aumento da capacidade de fiscalização.

Felismina Langa, citando o plano de maneio, disse que nenhuma construção é permitida na área do Bazaruto por ser susceptível à erosão e outros desastres naturais. Além desta região, estão também sob o impacto das mudanças climáticas, o distrito de Funhalouro na província de Inhambane afectado pela seca, e, os vales do Limpopo em Gaza e Zambézia, ambos registando com frequência inundações. Portanto, em Moçambique as mudanças climáticas além de colocar em causa a segurança alimentar, prejudicam o ecossistema como provam ainda a forte erosão na Costa do Sol na cidade de Maputo, em Xai-Xai, na província de Gaza, em Mocuba na Zambézia.

Neste país, estão em exploração seis parques nacionais, sete reservas e 14 cotadas.
A vice-ministra para a coordenação da acção ambiental que esteve em Durban, na conferência da ONU, entende que se deve educar o homem sobre as mudanças climáticas, realçando que não é a natureza em si que está em causa, mas também a vida humana.

Ela observa os efeitos das mudanças climáticas e sensibiliza para o segundo cometimento de continuidade do protocolo de Quioto, único instrumento internacional que regula a emissão de gases poluentes e que espira em Dezembro de 2012. Aliás, a posição defendida por esta governante é a de Moçambique que se fez representar na conferência através de uma delegação multissectorial em que Ana Chichava fez parte.

O executivo de Moçambique diz estar a preparar a sua estratégia para debelar os efeitos das mudanças climáticas e não deixa de fora, por exemplo, os regulamentos da área de florestas e fauna bravia com incidência para a taxa de sobrevalorização da exploração de madeira, o reforço da fiscalização da exploração dos recursos naturais, redimensionamento da exploração florestal e reflorestamento, tendo no último ano refloresta do 12990 hectares com diversas espécies exóticas e nativas com a participação das comunidades no âmbito da campanha um aluno uma planta por ano.

Como também não deixará de lado o diploma ministerial que estabelece os mecanismos de canalização dos 20% da exploração de florestas e fauna para estimular a participação das comunidades nas acções de reflorescimento e outras actividades de desenvolvimento do país, uma vez que as comunidades usam os fundos para a prática de actividades de rendimento com destaque para o fomento de caprinos e de pequenos negócios visando melhorar a sua renda.

Culturas agrícolas devem ser tolerantes às mudanças climáticas

Apesar do esforço governamental, especialista defende que para reduzir o impacto das mudanças climáticas na agricultura, por exemplo, é necessário que se substituam as culturas não tolerantes ao aquecimento contínuo e se introduzam culturas mais adequadas às zonas agro-ecológicas.

O agro-economista moçambicano, Firmino Mucavel, falando na cidade de Maputo, a capital moçambicana, num seminário sobre "mudanças climáticas e seus efeitos na agricultura, segurança alimentar, recursos hídricos e saúde pública" disse que a incidência de secas parece ter duplicado nos últimos 25 anos em Moçambique acompanhado de aumento na frequência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e inundações de alta intensidade, particularmente em rios e zonas costeiras.

Segundo Mucavel, para se conter os efeitos do aquecimento global em Moçambique deve-se em parte, reduzir as emissões, através do melhoramento da gestão agrícola e o aumento da eficiência de adubos azotados para se manter ou aumentar a produção agrícola com efeitos ambientais positivos. Aponta ainda o uso de florestas para a conservação do ambiente e como meio de sequestro do dióxido de carbono em grandes quantidades, ajuntando que a diminuição do abate das florestas e o apoio à sua regeneração e arborização podem contribuir para a conservação do carbono.

Na perspectiva de conter os efeitos das mudanças climáticas no sector agrário moçambicano, este especialista em economia agrária e recursos naturais defende ainda que se deve fomentar neste país a criação de áreas protegidas, tais como reservas de biodiversidade, reservas naturais de fauna e florestas através da co-gestão equitativa dos recursos naturais, tais como os recursos florestais e de fauna, através da participação comunitária ou de programas de parcerias.

Este especialista sublinha que ao se gerar tecnologias com a perspectiva de adaptação às mudanças climáticas, a mulher deve ser a parte fundamental - realçando, neste sentido, a importância deste género no estudo dos vários fenómenos para as mudanças climáticas.

Por seu turno, a gestora do projecto ambiental Livaning, Leonência Inguane, falando em Maputo, num seminário sobre energia sustentável versus mudanças climáticas entende que estas (as mudanças) estão relacionadas com as queimadas descontroladas e com os factores climáticos e aponta como solução o uso de energias limpas ou renováveis. Leonência sublinha que as comunidades devem recorrer a painéis solares para reduzir as emissões poluentes. (x)

 

 

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